quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Esse estranho, a época da inocência e o mundo tem salvação


Esse estranho foi um tema constante na minha vida, ao menos essa semana. As pessoas têm me falado muito dele, me contado coisas que estão vivendo e eu quero registrar aqui. Não que eu saiba alguma coisa sobre esse tipo de amor e eu acho que eu não sei mesmo.
Conversando com alguém, concluímos que a época da inocência dá saudade na gente. As coisas mudaram demais nesses últimos anos.Eu lembro que sempre tinha aquele menino na escola, que fazia a gente suspirar. E as amigas suspiravam juntas. Era aquela coisa de você chegar correndo e contar pra elas "Gente, hoje ele falou comigo, ele
falou comigo"...aí as meninas perguntam em coro: "O que ele disse? O que?" e você responde, com a cabecinha nas nuvens "Ele disse 'oi', vcs acreditam?". Aí todas suspiram juntas.Isso não é uma cena de uma comédia romântica em cartaz, um flashback da mocinha do filme. Isso realmente existiu.E foi bom de um jeito estrondoso.
Eu lembro dele do Jardim de Infância. Era o menino mais legal da escola. Sempre brincávamos juntos, vivíamos juntos e eu era muito amiga da irmã dele, dois anos mais velha que a gente. Ele morava atrás da escola, em um apartamento com os pais, o irmão e a irmã. Eu sempre ia com a irmã dele onde eles moravam e conhecia todos.
Na escola diziam que éramos namoradinhos e a gente nem sabia o que era isso. O que
eu sei é que ele era meu companheiro de brincadeiras. Quando eu era a Mariazinha da cantiga de roda, ele era o meu par. "Oh, Mariazinha, oh Mariazinha, entrarás na roda e ficarás sozinha" e eu cantava "Sozinha eu não fico nem hei de ficar, porque eu tenho o Victor para ser meu par".E ele dançava comigo. Quando tinha a canção da
florista, ele era o menino que amava florista. "Eu sou a florista, flor estou vendendo" e ele cantava "Venha cá,menina, que por ti estou sofrendo"...Eu dizia: "Se queres uma flor, passa-me um tostão" e ele respondia "Eu não quero flor, eu quero o seu coração"...Vocês acreditam na riqueza emocional e cultural onde a minha geração foi imersa? Eu acredito e agradeço, porque muito do que sou devo à ela. Ah, minha escolinha...
Quis o destino que estudássemos dois anos juntos, os do Jardim de Infância. Na primeira série, mudei de escola e fiquei sem saber onde estava o Victor, meu grande pequeno amigo. E o tempo nunca foi suficiente para apagar essas memórias, que eu lembrava sempre com doçura. Sempre. Quis também o destino que eu conhecesse, no colégio La Salle (onde estudei da primeira série do primeiro grau até o fim do segundo grau), uma pernambucana "retada", uma menina
maravilhosa e pura, a Laressa. Nos tornamos muito amigas na oitava série. Ela vinha do período da tarde. Em uma conversa sobre memórias, falei do Victor para ela, com descrição física, nome, sobrenome e virtudes. Descobri que ele passou também os mesmos anos estudando na mesma escola que eu, no período da tarde. Nunca tínhamos nos encontrado antes. Um dia, na escola, encontrei-o. Ele não me reconheceu, mas meu coração "parou" quando olhei aqueles olhinhos azuis dele. Ele sorriu. E passou.
A Laressa era super amiga dele. Dizia q ele era o cara mais legal do mundo. E teve a brilhante idéia de escrever uma carta para ele contando quem eu era. Eu deveria fazer isso e fiz. Ela entregou. Disse q ele leu com lágrimas nos olhos. A partir daí trocávamos cartas todas as semanas. Isso é super romântico. Na festa junina da escola, ele me viu. Chamou a Laressa e disse que queria falar comigo, porque não queria aquilo de ficar, que gostava mesmo era
de mim e queria ser meu namorado. Nem preciso dizer que saí correndo da festa, sem deixar rastro. E que ele ficou muito magoado.Eu não sei do que tive medo, mas eu tinha 15 anos de idade. E via ali a possibilidade de viver um amor com o menino que para sempre vai ser o meu primeiro amor. Isso costuma assustar meninas de 15 anos de idade e talvez mulheres de 30. A possibilidade de ser mais feliz do que sempre fomos. Sim, amor é complemento e não razão.
O que sei do Victor é que ele se tornou médico, foi morar em Curitiba e casou por lá.
Quanto a saber que, apesar das mudanças pelas quais o mundo passou, ele tem salvação...Conversando hoje pela manhã com um grande amigo meu, uma pessoa que eu amo muito mesmo...Ele me disse para não ter pressa, para não atropelar as coisas. Segundo ele, quando procuramos uma pessoa para dividir nossos tesouros (vida, convivência, gostos, quem somos, quem seremos), analisamos, procuramos e estudamos. E muito. E isso vindo de um homem (sabe-se o quanto estão com a imagem manchada no mundo. Acho tolice, todos falham, independentemente do sexo)...Isso é realmente muito bom.Isso o que? Saber que existem pessoas que acreditam nesse estranho,o amor. Eu penso que virão muitas gerações e muitos tentarão em vão explicá-lo, cometas passarão, a ciência vai descobrir milhares de coisas...Mas a grandeza de
algo assim só será desvendada quando o medo deixar de existir em cada um e que cada um possa se abrir para a magnitude de tal acontecimento. Se ainda mora em mim a menina de 15 anos? Certamente. Resta saber se quem manda é ela ou a mulher de 30.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Parece mentira, mas é verdade e sendo assim é muito, mas muito incrível


Outro amigo dele. Vamos chamá-lo de Junior. Junior tem um pastor alemão uma vizinha e essa vizinha era muito apegada ao seu poodle, a quem ela chamava de filho. O poodle e o pastor alemão eram muito amigos e sempre brincavam juntos, todos os dias. Uma noite, Junior chega em casa e entra pela porta dos fundos, como sempre.
Procura a chave em seu bolso e quando olha para o chão, se depara com uma patinha branca do lado de fora da terra. Querendo investigar de perto, se aproxima. O pastor alemão late alto, corre e desenterra o cadáver do poodle do quintal. Junior se desespera. "Meu cachorro matou o poodle da vizinha e enterrou no meu quintal.
Preciso fazer alguma coisa". E assim fez: tirou a terra do cadáver, lavou com shampoo, secou com o secador e passou até perfume. Tudo isso na calada da noite.Eu acho que foi uma tentativa desesperada de fazer parecer que o animal tinha morrido envenenado ou algo parecido. Tudo menos assassinado por seu pastor alemão. Depositou o corpo do animalzinho em frente à porta da vizinha, silenciosamente e foi dormir.
No dia seguinte, acordou com os berros da vizinha: "Juuuuuuuuuuuuunior, vem ver o q fizeram com o meu cachorrinho. Vem veeeer, ai, meu Deus!!!". Junior saiu de casa e encontrou sua vizinha aos prantos: "Você acredita, Junior, que ontem meu cachorrinho morreu e eu o enterrei no quintal. Algum louco o desenterrou, lavou, secou, passou perfume até e o colocou na minha porta. Junior, que monstro faria uma coisa dessas?"
De tão amigos que eram, o pastor alemão havia desenterrado o poodle do quintal da vizinha e enterrado em seu quintal. Junior se desesperou e teve um trabalho q não deveria ter.
Isso tudo nos mostra que uma análise tranquila dos fatos pode evitar que tenhamos que ficar "lavando cadáveres" pelos quais não somos responsáveis. Pense nisso.

Ninguém vai tirar você de mim ou O Possuído


Ele bebeu tanto que a turma resolveu que não dariam mais nada para que ele bebesse. Muito bêbado e revoltado com a decisão dos amigos, xingou todos em alto e bom som: "Vocês são o lixo, a escória da humanidade, a doença que assola e extermina os seres humanos, eu odeio vocês, vou sumir daqui".E assim fez.
Todos o procuraram por horas dentro de casa, pela vizinhança e quando estavam quase desistindo, resolveram olhar embaixo da mesa da cozinha. Encontraram-no lá, com o rosto contorcido e a roupa torta, quase um filme de terror,
agarrado a um litro de leite berrando "Agora isso eu quero ver vocês tirarem de mim!!!"

O herói do dia ou O desaparecimento do Toni


Os pais de uma das meninas havia viajado. Pensaram: "o que faremos agora?" e decidiram q passariam o dia inteiro bebendo na casa.E assim fizeram. À noite, deu aquela fome e eles constataram que não havia nada para comer. Quem iria à padaria comprar o lanche? Decidiram brilhantemente que iria aquele que estivesse mais bêbado. Era um amigo de 206 quilos e vamos chamá-lo de Toni. Gente boníssima.
Saiu na bicicleta às oito horas da noite. A padaria não era longe. Às nove, nada. Dez horas, nada dele aparecer.Todos estavam preocupados e ligaram desesperadamente para o celular do moço, mas ele não atendia. Às onze, toca a campainha. Todos foram correndo até a porta para ver se era o Toni.E era. Todo ralado. E com a bicicleta tortafeito um grampo velho de cabelo. Um dos meninos, desesperado, pergunta: "Meu Deus, Toni, o que aconteceu?". Ele,ralado, alcoolizado e orgulhoso, exibe o saco da padaria em uma das mãos: "Fui atropelado, mas salvei o pão".
Como se não bastasse, todos se reuníram na parte da frente da casa, que consistia em duas vigas de madeira que
seguravam um telhado colonial e uma rede. De tão preocupado ele pediu que o Toni sentasse na rede para se recompor. As vigas entortaram para o lado de dentro e o telhado caiu em cima de todos.Agora o Toni não era o único bêbado estropiado do local.
Qual a moral dessa história? Bom, acho que não há moral alguma...Talvez possamos pensar em "Se estiver bêbado,não dirija nem uma bicicleta"..."Quem tem teto colonial sustentado por vigas q não peça ao amigo bêbado de 206 quilos para sentar na rede que fica embaixo dele". Não, pensando bem, nada a declarar.E eu fico aqui me indagando como posso ter tantas histórias sobre bêbados se eu mesma nem bebo...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O sofá "mal-assombrado"


Conta ele que um dia, passando pela frente de uma casa, viu um sofá abandonado. E era um sofá de sonho: bonito, confortável e bem grande. Abandonado em frente à uma casa. Ele quis bater e perguntar o motivo de estarem jogando aquela maravilha fora. E não teve dúvidas: tocou a campainha, chamou, mas ninguém apareceu. Telefonou para um amigo proprietário de uma kombi velha para que eles pudessem levar o sofá embora. E assim fizeram.
Colocou o sofá na sala de casa. Era excelente e também era novo, o que aumentava os questionamentos dele a respeito dos motivos de se jogar algo tão bom no lixo. Mas ele continuou com o sofá na sala de casa e de tão confortável que era, dormiu nele por diversas vezes.
O único problema do sofá era um barulho semelhante a um batuque quando alguém sentava nele. E era algo forte e rápido. E todos que sentavam no sofá o sentiam.E se assustavam. Um dos amigos dele cogitou a possibilidade de ser um móvel "emacumbado". Ou talvez alguém teria morrido no móvel e tenha se apegado a ele em espírito. O objeto era repleto de "talvez".
Ele procurava dentro do sofá o motivo do barulho. E nada. Um dia, cansado de tê-lo em sua sala, resolveu jogá-lo fora também. Colocou-o em frente de casa. Saiu para trabalhar. Conta sua família que os cachorros reagiram de maneira estranha ao móvel: começaram a latir, uivar e tentar arrancar algo de dentro do sofá. Algo extraordinário: muitos cachorros, provavelmente, todos da vizinhança.
Eis que os cachorros se depararam com o inesperado: uma cobra grande, marrom e de cabeça grande, que os cachorros se prontificaram a matar e despedaçar. Quando ele chegou do trabalho, a cobra estava na rua aos pedaços. E o sofá também.
Surgiram tantos questionamentos: como a cobra sobreviveu por tanto tempo dentro do sofá sem comer nada? Como aquela cobra entrou no sofá? Será que os antigos proprietários quiseram jogar o sofá fora por conta da cobra dentro dele ou será que pensavam que o sofá era mal-assombrado e por isso quiseram se livrar dele? Será que a cobra saída do sofá na calada da noite para "assaltar" a geladeira? Há quanto tempo aquela cobra morava mo sofá?
A história da cobra no sofá trouxe questionamentos de natureza filosófica: qual a sua cobra do sofá? O que realmente incomoda você? Quando você vai colocar esse bendito do lado de fora de casa para que o barulho que ele faz não o incomode mais? Quando o sofá for colocado do lado de fora da casa, você tem cachorros suficientes para dilacerar o bicho horrendo que mora lá e não deixar que ele volte a incomodar? Ou será que você vai deixar algo potencialmente venenoso se esconda dentro de onde você dorme e correr o sério risco de ser mordido?
Algumas cobras minhas de sofá consistem em: excesso de peso, dificuldade para perder o vício por trabalho que eu alimentei por 3 anos, preguiça de fazer exercícios físicos (e alguns intelectuais,confesso), um certo desânimo para estudar, procrastinação da resolução de coisas urgentes, falta de coragem para me relacionar emocionalmente decorrente de alguns acontecimentos passados ruins, falta de coragem de cobrar que certas pessoas sejam coerentes nas atitudes em relação a mim...Enfim, são muitas "cobras de sofá" para matar e eu posso afirmar que, se pensarmos em termos de patrimônio emocional, eu tenho apenas uma poltrona. Todas essas cobras não cabem dentro dela. Acho que é hora de jogar essa poltrona no lixo e por isso, preciso
me livrar das cobras, pois não quero que o próximo proprietário dessa poltrona passe anos achando que ela é mal-assombrada.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Oi, você é o Vander?


A paisagem é construída, mas a lua cheia daquele sábado inspirou as pessoas a me contar uma recordação famosa do
local. Um lugar coberto, com algumas mesas e uma linda vista do lago. Era possível ver o vento quente típico das noites
de agosto balançando as palmeiras e os sorrisos das roupas sofisticadas Por debaixo das mesas eu observava os
sapatos requintados e por cima delas, os olhares discretos das pessoas. Algumas famílias, alguns casais apaixonados, e,
como nós, amigos. Estava sentada conversando com uma amiga sobre os infortúnios amorosos e, confesso, falando absurdos
verdadeiros sobre uma determinada pessoa. Eis que surge uma voz e uma mão em meu ombro e a partir daí começou uma viagem
ao passado e a descoberta de coisas surpreendentes sobre um passado não muito distante. Recordações, novos fatos e tudo
visto de uma perspectiva muito interessante.
Do outro lado, o piano e mais requinte. Por sorte sentei-me em uma das mesas da entrada e posso afirmar que é o melhor local, de
onde se pode ver tudo e todos. Observar, conhecer, conversar. Ouvi uma história muito interessante, que me foi contada por três dos
funcionários.
Eles contam que em uma certa noite, chegou ao local uma moça. Loira, cabelos longos, muito bonita e vestida com esmero. Discreta e,
aparentemente, uma moça de boa índole. Observou o gerente se movimentar com sua camisa listrada, do lado de fora para o lado esquerdo
do estabelecimento. E ela o olhava com olhos de espera. A moça chamou a recepcionista do local e perguntou, sem fazer alarde: "Você pode
perguntar pra mim se ele é o Vander?". A recepcionista, ao perceber que se tratava de um encontro às cegas, pacientemente foi até o gerente
e, mesmo sabendo que o nome dele poderia ser qualquer outro, exceto Vander, ainda assim perguntou para aliviar o coração da moça. Não, ele
não era o Vander.
Com a percepção do que estava acontecendo, os outros funcionários começaram a torcer pela moça. Considerando a boa aparência da mesma, muitos
brincavam entre si e diziam que iriam vestir uma camisa listrada e dizer que eles eram o Vander. Todos estavam a essa altura torcendo pela
moça e todos homens desacompanhados que chegavam ao local poderiam ser o Vander. Mas eles não eram.O Vander não apareceu e a pobre moça ficou
a noite inteira sentada sozinha na mesa.

Incrivelmente, esse fato deixou as pessoas do local tristes. Todos se solidarizavam com o que a moça sentia. Deve ser horrível passar por algo assim.
Eu nunca o fiz nem deixei que fizessem comigo. O mais surpreendente é que esse caso não é o primeiro de encontro às cegas.
segundo os funcionários me disseram, esse é um dentre muitos.Como me foi contado, às vezes a recepcionista pergunta ao casal se a mesa é para
fumantes ou não-fumantes e eles se entreolham e não sabem, porque acabaram de se conhecer. Ah, a tecnologia!

A tecnologia deveria servir para aproximar as pessoas. E serve, mas algumas infelizmente não tem uma índole boa.Se aproveitam, mentem, enganam.
Eu não sei como era por dentro aquela moça, mas sou capaz de apostar que o Vander perdeu uma oportunidade de conhecer uma ótima pessoa. Ou ao
menos perdeu a oportunidade de agir como gente. Porque, francamente, o tempo que a moça perdeu poderia ter sido usado lendo um livro, arrumando as
unhas, conversando com os amigos ou até mesmo saindo com um cara legal de verdade. Coisas da vida. Espero que o mundo real não esteja repleto de
"Vanders" como o mundo virtual.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Doces Mentiras ou Amargas Verdades?


Alguns dias em casa se fazem suficiente para reavivar em nossas mentes lembranças. A sorte é que as lembranças que pareciam trágicas há anos atrás, hoje me fazem rir. E com vontade e sem nenhuma hipocrisia. Eu tinha 21 anos e ostentava a mão direita uma aliança de ouro digna de Sauron (vide "The Lord of the Rings"). Noiva aos 21 anos de idade. Ele provavelmente era o cara mais legal do mundo. Eu, a menina mais chata. Confesso. Sabe aquela babaquice da gente não se comportar devidamente por achar que apesar de todas as nossas idiotices, a pessoa ficará ao nosso lado para o resto da vida? Grande engano.
Era dia dos namorados e sentamos para conversar. Concluímos que as coisas não estavam bem. Ele pediu um tempo, alegando que não queria que as coisas terminassem definitivamente porque me amava e que precisávamos pensar melhor nas "nossas" atitudes. Eu, do alto da minha arrogância, tratei de dizer-lhe que tempo não existia e que, por mim, estava tudo acabado e que não iria doer nem um pouquinho. E assim aconteceu o rompimento. Eis que o distinto rapaz, aos prantos, olha nos meus olhos e diz "O problema não é você; o problema sou eu". Disparei "Com certeza o problema é você". Ele ficou com uma cara de "por essa eu não esperava" e saiu sem saber o que dizer.
De cara, nessa história, podemos identificar mentiras, como "não iria doer nem um pouquinho", "nossas atitudes" (que ele quis dizer que seriam minhas) e "o problema sou eu" (claro que não, você estava pedindo para se afastar de mim, claro que o problema, na sua cabeça, era eu).
Dizem que mentiras ás vezes são necessárias. Eu não concordo e sempre penso que exista uma forma mais amena de dizer verdades cruéis. Melhor assim. Sendo assim, resolvi perguntar para meus amigos para postar aqui uma coisa muito importante: qual foi a pior mentira q jah contaram pra vc em um relacionamento? pior no sentido de ser aquela assim, q vc diz..."meu deus, nem se eu fosse uma berinjela acreditaria nisso"?? .
À MEDIDA QUE EU RECEBER MAIS RESPOSTAS, MODIFICAREI A POSTAGEM. AGRADEÇO A VOCÊS PELA COLABORAÇÃO E, SOBRETUDO, CARINHO.
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Amora diz:
putzzz
tem varias q o thiago contava
teve um dia q ele ligou super tarde pra mim dizendo q ia se matar com uma caneta enfiada na garganta
Alessa Cole diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Amora diz:
e o pior detalhe era q ele dava a entender q era um espirito q estava possuindo ele
Alessa Cole diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk (chorei de rir)
Amora diz:
no dia eu acreditei
e morri de medo
mas tb nao me descambei da minha casa ate aonde ele estava pra comprovar
Alessa Cole diz:
ooooooh inocente....rsssss..qd a gente gosta acredita em cada coisa
Amora diz:
pois e
mas eu acreditei muito nao
fiquei me perguntando se era verdade
Alessa Cole diz:
modeuso

NOTA DA AUTORA: ESSA FOI, COMO DIZEM, TEEEEENSA...
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Italiano diz:
Ai... isso é dificil.
Alessa Cole diz:
uma mentirinha vai
Italiano diz:
Tô tentando organizar aqui na mente.
Alessa Cole diz:
eu espero
Italiano diz:
Caraca! Não lembro nada assim.

Alessa Cole diz:
nao precisa ser relacionamento sério
Italiano diz:
Acho que sempre fui muito besta, daí acabava acreditando mesmo.

Alessa Cole diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkk
Italiano diz:
Sério. Tá dificil de lembrar algo.
Alessa Cole diz:
hoje, nao...to com dor de cabeça
nao, eu nao tava olhando p aquele cara
nao fui eu
nao foi tao ruim assim
tem nada nao
Italiano diz:
Essa: "hoje, nao...to com dor de cabeça" é comum.

Alessa Cole diz:
e idiota tb

NOTA DA AUTORA: HOMENS TÊM MEMÓRIA SELETIVA
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Green Eyes diz:
que nunca me traiu
ou eu nunca mentiria para vc

NOTA DA AUTORA: TRISTE. MESMO.
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Manolo diz:
É PRA RESPONDER ??
PORQ NÃO SEI NÃO ME LEMBRO
NUM LIGO MUITO PRAS MENTIRAS DE RELACIONAMENTO
kkkk
Alessa Cole diz:
qualquer coisa manolo
Manolo diz:
sei não
sério

NOTA DA AUTORA: CONTINUO AFIRMANDO QUE HOMENS TÊM MEMÓRIA SELETIVA

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Barrabás Quem vcs querem que seja solto ? diz:
Eu só transo com vc.
essa é hilária
mas muito cliche
meu pior acontecimento foi o seguinte
huahuaha
poste essa ai de cima
^^

NOTA DA AUTORA: EU TAMBÉM JÁ OUVI ESSA; SÓ QUE QUANDO EU FALO, NÃO MINTO.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Há salvação para quem está "na fossa"


Uma conversa com uma pesssoa com a qual convivo motivou a escrita desse texto. Segundo ele, eu tenho uns flashbacks estranhos. E é verdade. Estávamos falando sobre a "fossa", seus cantos habitáveis e sujeiras aderentes. Tive um dos meus flashbacks quando ouvi a palavra "fossa". Estávamos falando sobre o Lobão e a pessoa em questão me disse que ele é um gênio que escreveu em suas músicas um manual auto-explicativo da fossa. Eu disse que tudo bem, mas que Lobão não tem tanta experiência quanto eu no assunto, pois tive minha primeira experiência aos 4 anos. Era uma fossa literal, mas a usei a vida toda como explicação e desculpa para sempre sair da fossa não literal.

Quando eu tinha uns 3 anos de idade, ganhei do meu irmão mais velho de todos, o Alan, uma boneca Fofolete (aquelas bem pequenininhas vestidas no estilo "mãe, sou chique, to indo pro Canadá"). As de hoje em dia são bem diferentes das Fofoletes de 1984, mas isso não vem ao caso. Eu chamava (e chamo até hoje) esse meu irmão de "Pato" (a explicação fica pra depois). Estávamos em outra cidade com meus pais e havia uma fossa aberta (sem nada dentro gente, pooor favor). Não sei como deixei cair minha boneca lá. Talvez eu até a tenha jogado para ver o que aconteceria, mas isso eu não consigo lembrar bem, pois aconteceu há 26 anos atrás.

A queda da boneca na misteriosa-funda-horrorosa-provavelmente habitada por baratas e Morlocks - fossa causou uma grande comoção na minha família. Minha irmã conta que eu chorava às pitangas e dizia para o meu irmão "Paaaaaaato, por favoooooooooor, salva a minha filhaaaaaaaaaa".

Pato, engenhoso do jeito que só ele sabe ser, fez uma mão de arames encontrados na rua e salvou "minha filha" da fossa. Mamãe tirou o recheio, lavou, costurou, colocou um novo recheio na boneca, passou perfume e eu fiquei muito feliz. Até hoje eu guardo a boneca comigo e é o único brinquedo que guardei pra sempre (vide foto). Esse fato sempre me fez pensar muito.

Quando estamos no fundo, bem deprimidos, podemos ter um olhar mais apurado sobre nós mesmos, porque geralmente nas horas felizes esquecemos de olhar o nosso interior. Só os acontecimentos estranhos nos fazem olhar para o que realmente há dentro da nossa própria "fossa", aquele lugarzinho secreto onde guardamos nossos "podres" e como nos enclausuramos dentro dele nas piores horas, somos forçados a limpar pelo ou menos um pouquinho e torná-lo habitável.

Eu limpei minha fossa muitas vezes esse ano e por muitos motivos. Sei que ela é feia, escura e meio suja, mas eu preciso tê-la dentro de mim para não sair jogando a sujeira em todo mundo. A "mão de arame" que geralmente nos tira de lá pode ser um abraço da mãe, uma palavra de um amigo, o ombro de um irmão, uma flor, um por-do-sol, uma palavra doce. Quanto a tirar nosso "recheio sujo", tomar banho, secar ao sol, colocar um novo recheio e fazer "as crianças" felizes, é trabalho nosso.

Sei que em relação a tudo isso, eu sempre penso: se aquela coisinha tão pequenininha foi salva daquele lugar monstruoso e escuro e bem maior que ela, por que não podemos ser salvos desse lugarzinho escuro que tem dentro da gente e muitas vezes nos impede de encontrar as coisas boas?

Eu desejo cada vez menos visitas à "fossa" a vocês.

Grata ao Mr. President por ter tirado a foto. :))

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Vivendo na positividade- Uma arte


A arte de viver na positividade é algo que devemos assimilar. Nem sempre é possível. Mas todos os dias as coisas que trazem alguma positividade esbarram na gente. Resta saber se perceberemos ou se nos limitaremos a viver down, down, cada vez mais down até afundar. Acho que essa não é uma boa opção. Talvez enxergar alguma coisa boa até mesmo nas situações mais toscas.

Trabalhei hj até 21 horas. Passei o dia corrigindo exercícios e ouvindo músicas tristes. Cansaço. Já q ninguém lê mesmo esse blog, eu tenho a liberdade de escrever. Saí da escola com minha tesourinha de ponta redonda no bolso. Olhei aquele bando de flores na frente da escola e pensei "Quer saber? Eu não tenho dinheiro para comprar flores e aqui tem taaaantas. Acho que falta não vai fazer". Cortei algumas, cheguei em casa, aparei os caules, coloquei na água e coloquei no altar q minha mãe tem no quarto. Fui à cozinha e ainda tinha almoço, q eu não tinha comido por falta de vontade e tempo. E estava tão gostoso! Ainda tinha bolo de cenoura coberto com brigadeiro, mas a fome não foi suficiente pra isso. No sofá da minha irmã, meu sobrinho dormindo. Lindo.

Depois de tudo, um bom banho com um sabonete megacheiroso e uma roupa de dormir limpinha e confortável.

Entro no msn e me deparo com meus amigos. Risadas. E muitas. Apenas um exemplo:


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J diz:
beibi, te vejo tão longe.....
fala isso pra ele
beeeeeeeeem longe mesmo

Alessa diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
joelito canta klb (pra eu te sacanear tenho q falar da regravação tosca, claro)

J diz:
sempre

Alessa diz:
uuuu babyyyyy~~~~~~~~~(voz tremida)

J diz:
Hace días perdi en alguna cantina (bar) la mitad de mi alma más el quince de propina.
No es que sea el alcohol la mejor medicina pero ayuda a olvidar cuando no ves la salida.
Hoy que intento contar que todo va bien aunque no te lo creas.
Aunque a estas altura sun último intento no valga la pena.
Hoy los buenos recuerdos se caen por las escaleras.
Y TRAS VARIOS TEQUILAS LAS NUBES SE VAN PERO EL SOL NO REGRESA.

Alessa diz:
kkkkkkkkkkkkkkkk
muchas tequilas



Da capacidade dos amigos de acompanhar as mudanças de assunto...


Alessa diz:
então
tem q ser paciente
vc sabe
demora, mas o q for bom pro seu futuro profissional vai rolar
algumas coisas sao assim...haja paciência...mas nao desanima
senao eu desanimo tb...pensa bem...somos almas gêmeas, lembra?...o q vc sente, eu sinto...isso quer dizer q um de nós tem q ficar rico...aí o outro fica tb;;kkkkkkkkkkk
Italiano diz:
huauhauhahuauhuhauhauh
Assim espero né?
Alessa diz:
tomara
sabe...
eu confio mto em vc.
sério.
Italiano diz:
Tb confio em vc Lessa.
Alessa diz:
parece q nada do q eu possa falar ou do q eu tenha feito....q vc nao pensa nada de ruim. é estranho, mas vc me entende.
apesar da gente nao viver grudado...mas eu gosto tanto de vc q se eu tentasse eu nao conseguiria explicar.
[ahhhh...vc conseguiu os cartuchos da cx 4900?]
Italiano diz:
Ah Lessa.
Bom "ouvir" isso.
Tb gosto muito de vc.
E é sempre muito bom compartilhar as coisas contigo, mesmo que não sejam coisas lá muito boas né?

[Então.
Tenho os cartuchos compatíveis.]
Alessa diz:
e isso funciona ou é como transplante de órgãos, q pode dar rejeição?

terça-feira, 13 de julho de 2010

Curtinhas admiráveis


Sobre a mãe alheia:

Alessa diz:
talvez ela ache q o q vc faz ainda não é suficiente

ruivaloka diz:
eu até lavo roupa
nunca vai achar
agora ela está toda virada

Alessa diz:
afff

ruivaloka diz:
pq aparece um amor de 38 anos atras

P.S.: danos permanentes e irreversíveis. Elementar, meus caros... pfffff

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Refletindo sobre "o amor"...

Alessa - "Essas coisas causam danos permanentes e irreversíveis"
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Pergunta do presidente do clube sobre minha frase:

[c=4][a=1]D. [/a][/c=4] diz:
Se refere ao amor, certo?
Alessa diz:
ceeeeeerto
[c=4][a=1]D.[/a][/c=4] diz:
I'm still in charge of my life
fuck love
yeah





TECLA SAP: eu ainda estou no controle da minha vida. foda-se o amor. yeah





P.S.: Mr.President, te admiro demais, principalmente pela enorme quantidade de pimenta q vc é capaz de comer (risos).





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Alguem tem ópio do povo ai pra dividir comigo ? diz:
estou cansado e irritado
kkk
to zuando
to mau





Alessa diz:
espero q vc melhore...aliás...espero q o mundo exploda..de uma vez. assim ninguém mais vai ter problemas :D





P.S.: eu sou um saco, não sei como vc me aguenta. Obrigado.





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Pensando na idéia da explosão do mundo...




Alessa - "Obrigado, Senhor, por não ter me feito uma física nuclear" :D


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Pensando no meu estado atual de fúria...


luis dia:
cadê a Alessa? tenho certeza q vc é um et que colocaram no lugar dela

Alessa disse (11:52):
quer dizer q vc acha q eu fui abduzida e q tem um et no meu lugar? kkkkkkkkkkk

luis diz:
COM CERTEZA

Alessa diz:
por que?

luis diz:
ELA NAO É DE FICAR SE LAMENTANDO. ELA É O CARA.



Alessa diz:
risos
eu te adoro seu boboca

luis diz:
VC VOLTOU TE SOLTARAM
QUE BOM . FIZERAM MUITOS TESTES COM VC? AQUELES ETS MALDITOS!!!





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P.S.: Caco, Caquinho do meu coração. :P Alessa não morde amigos, fica tranquilo. kkkkk

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Da série "Eu bebo, sim"


" Bebo para afogar as mágoas, mas as danadas aprenderam a nadar". (Frida Kahlo)

P.S.: eu, não bebo.

Da série " Medo0"


" A felicidade consiste em vencer os inimigos, em vê-los de joelhos à nossa frente, em tirar-lhe suas propriedades, em saborear o seu desespero, em ultrajar suas mulheres e filhas". (Gengis Khan)

sábado, 10 de julho de 2010

A crise, lá vem a bendita novamente/ O “auto-amigo”...


Em janeiro estava em um momento pós-crise (bem pós) e me encontrava resignada, feliz e otimista. Com aquela sensação de que dali em diante tudo seria diferente. E tudo não foi. Boa parte, com certeza, mas tudo é muita coisa para ser diferente. Seis preciosos e conciliadores meses. Seis meses onde fiz coisas que sempre quis fazer, conheci pessoas novas, me aprimorei profissionalmente, me relacionei com algumas pessoas sem adicionar sentimentos desnecessários (e com a mesma velocidade sumi da vida delas), vi mais amizades verdadeiras e sorri menos, mas com mais vontade.
Depois que uma crise vai embora, a pior coisa é que esquecemos momentaneamente o caminho que fizemos até que o fim chegasse e quando outra crise chega, nos sentimos perdidos e até meio desamparados por nós mesmos. Eu queria poder olhar para mim mesma e dizer “ora, vamos, Alessa, eu nunca vou abandonar você (quem sabe lhe causar alguma decepção, mas nunca o abandono) e estarei com você algumas vezes, mas somente elas serão necessárias para curar seja lá o que for”.
A crise, qual será ela dessa vez? Pensei muito. Sentimentalmente, eu não tenho ninguém pra sentir falta. Não alguém que esteja comigo, mas alguém do passado que ficou um pouco ainda em mim. Sempre vejo as pessoas falando “eu sinto falta do fulano às vezes” e isso não se passa comigo. Talvez por eu ser emocionalmente bem resolvida ou talvez por ter me tornado tão insensível em relação a essas coisas. Eu lembro muito (sem sentir saudade, tanto é que nos tornamos ótimos amigos) de um musicista que namorei uns tempos e sempre cantava pra mim uma música do Leoni, que diz “E outra pessoa pode, tirar você do bode/ Mas só eu pra desculpar por tanta incapacidade de amar”. Eu sorria e o beijava ainda sorrindo e só hoje em dia que eu penso que a música faça sentido. Ele cantava para brincar comigo, mas hoje em dia eu me tornei a música de verdade. Às vezes eu penso que isso tudo seja uma grande mentira e que aquela garota doce, ingênua e esperançosa ainda existe. Mas eu me decepciono comigo mesma, com as pessoas, as decepciono, elas me decepcionam e essa doença se alastra a cada nova descoberta. Espero que passe logo. E se um dia não passar? Para mim, todo relacionamento amoroso é resumido em uma frase que Frida Kahlo disse um dia a Diego Rivera: “ Houve dois grandes acidentes na minha vida: o bonde e vc. Vc sem dúvida foi o pior deles."

Curtinha sobre “que clube é esse?”


“Não entendo seu idioma, moça.”
“JERK = CANALHA”.
“kkk, eu sabia. Vou me tratar e levo vc junto”.
“ E quem disse que eu quero me tratar?”

Ontem. Hoje o bom dia veio acompanhado com “lobo” e o lobo era eu. “Ao menos nunca vesti pele de cordeiro”. Bom, nunca escondi o que me tornei ou muito provavelmente quem estou tentando colocar dentro de mim pra me tornar assim. O lobo, de certo, deve ser o destroçador de corações. Mas eu não sou assim. Ou, como diria Mr. D. , meu presidente do clube e guru: “Qual é? Nós comemos os corações das pessoas no café da manhã para não esquecermos o que somos”. Acrescento: “E ainda bebemos um pouco de veneno para não correr o risco de beber o veneno dos outros”. Uma mistura de “jerk” e lobo, quem sabe, mas não tudo de cada um. O lobo veste a pele do cordeiro, conta algumas mentiras, arranca seu coração e come. O “jerk” veste a própria pele (unicamente porque a auto-confiança dele é pré-requisito para ser membro do clube) muito confortavelmente, diz verdades, olha nos seus olhos, você entrega seu coração em uma bandeja e ele se delicia com a entrega. Mas nunca mente. Come, levanta da mesa, sorri e sai. Eu sou o lobo? Certamente não.

Laboral e totalmente pessoal


Tudo parece bem. Trabalhei os últimos dois anos e meio e dei minha alma imortal no mesmo lugar. Agora irei pegá-la de volta. Pedi para sair porque tenho outros planos. Sentirei falta com certeza das pessoas. Nesses três anos vi muitas coisas engraçadas, outras tristes, apoiei, fui apoiada, enfim. Sentirei falta dos meus alunos também e como sentirei. Eles me fizeram pensar muito hoje. Uma turma em especial e sempre o pessoal mais animado. Imagina, estudar aos sábados e ainda passar a aula toda com a maior boa-vontade do mundo. Eles conseguem. Primeiro livro. Apresentaram um trabalho e cantaram duas músicas. As duas me fizeram chorar e unicamente porque crises me deixam sensível (não se anime, eu não tenho sentimentos...kkkkkkk). Uma me chamou a atenção, porque sempre achei uma música boba, mas na crise eu presto atenção até às coisas bobas. Ela dizia assim na tradução: “Tenho sorte de estar apaixonada pelo meu melhor amigo /Sortuda de estar onde tenho estado/Sortuda de estar voltando para casa”. Eu senti. Isso não é bom. Bom, também sei que fiquei orgulhosa deles. A outra me chamou atenção pq dizia “É difícil acreditar que não exista ninguém lá fora/ É difícil acreditar que eu esteja completamente sozinho”. E de repente eu me senti desolada. Nunca imaginei que uma apresentação de trabalho me fizesse pensar assim na vida e lembrar de coisas que eu luto para esquecer diariamente.
Foi uma somatória de tudo: a futura falta das pessoas, o medo de coisas novas, não saber o fim da estrada nem como será a jornada, a vida pessoal totalmente impessoal, o que me tornei, o que fui, o que deixei para trás. Só me resta seguir Lily Braun e cantar “Adeus, já vou com os meus numa turnê”.

A conversa alheia


Arrisco-me tão somente a dizer que a conversa alheia é a parte mais desinteressante da vida de cada um, mas que acaba interessando a todos. “Jucineide foi pintar os cabelos de loiro no salão da Val, mas tinha ido ao clube no domingo e não os lavou, menina...Ficaram verdes, verdinhos como grama” e a segunda parte da conversa responde, embasbacada “Nããããõ...Não me diga, menina. E o Zé Paulo, o que achou disso?” e aí você se vê, mesmo sem o menor conhecimento sobre quem seja a Jucineide ou o Zé Paulo, pensando “é, o que ele achou? Fala logo, vai...hahahaha”.
A verdade é que não importa quem seja a moça de cabelos verdes ou o namorado dela que certamente pensou coisas muito estranhas a esse respeito, a única verdade que reside aqui é que todos são vítimas da conversa alheia, seja como narrador, seja como personagem. Às vezes comicamente e outras, covardemente.
Comicamente é naqueles dias no coletivo, onde sempre se encontram duas senhoras em conversas simpáticas ou adolescentes em conversas depressivas ou adultos em conversas laborais. Covardemente é quando a conversa alheia é a desembocadura de várias mentiras e sendo assim já transformaram por mim amigos em amantes, favores em questionamentos e desejos de felicidade alheia em estranheza.
Tudo se encontra distorcido e só quem pode saber da verdade é quem nem sempre conversa a conversa alheia, mas quem pratica os atos destes “fatos”. Aí a conversa alheia vira fofoca, mas não é disso que eu quero tratar nessa crônica. Quem sabe seja um assunto para uma próxima.
O que eu quero dizer é que quase sempre a conversa alheia é muito divertida e nada útil. E o que a alimenta? Muito provavelmente nossa necessidade de rir e também uma grande curiosidade. A curiosidade e a necessidade motivam e inspiram curas de doenças, invenção de coisas úteis e extremamente necessárias, busca de soluções, necessidade de entendimento do que se passa e, principalmente, a conversa alheia. O que seria da humanidade sem isso? Isso, de querer inventar e resolver, não a conversa alheia. Vivemos em busca de soluções e também vivemos pelo prazer. A vida dos outros é tão somente isso para nós mesmos: necessidade e prazer.
A conversa alheia é tão divertida porque a nossa própria às vezes cansa. Batalhamos diariamente contra a rotina, sem saber que muitas vezes a rotina nos salva. Mas também devemos lutar contra certas rotinas e nossa própria conversa todos os dias seria mesmo muito, mas muito chata.
Eu mesma, ah, tem dias que não me agüento, que queria inventar uma pessoa diferente pra ser eu e aí essa necessidade de auto-eliminação passa assim que eu ouço a conversa alheia. E por que isso? Porque outras vozes no mundo é o que me faz perceber que tem mais gente nele, que pensa diferente, que age diferente e que, principalmente, passa pelas mesmas coisas que eu passo... Mas elas contam isso de um jeito muito mais engraçado.

O hospital


Ela tentava aprender com papai como se frita um ovo e olhava tudo da cadeira, mas peralta do jeito que era, caiu, caiu apesar de todos os nossos avisos, caiu no chão, se estatelou, queda pior que a de ovo. Caiu. Um estrondo. Levantei os olhos do prato, mas como me acostumei às peraltices e hematomas causados pela mesma, nem me alarmei no princípio: deixei todos entrarem em pânico e aí fui olhar o estrago, porque era minha vez de entrar em pânico também.
Choro, quase se podia afogar um exército de formiguinhas com ele, muito choro, esperneamento, lamúrias, explicações, calmaria, choro, pé roxo, inchado, pode ter quebrado. Vamos? Agora, mais calma, mas ainda com dor, vamos. Ela dorme placidamente. “Pode?”, pergunto eu. A mãe responde “Sim, não pode dormir depois de pancada na cabeça, mas no pé, claro que pode”. Ah, sim, algumas coisas a gente aprende mesmo e outras esquece. Espero não precisar mais lembrar.
Antes de tudo isso, veio o telefonema para o chefe. “Não, eu não vou. Desculpe-me, decidi, ela é mais importante”. Lamúrias do chefe. Conformidade, afinal, dor de criança não se pode contestar, pois criança é pura e dor em alguém puro é sal de lágrima de anjo. O caminho me parece o mesmo, mas o destino é diferente: o hospital. É outro hospital, mas ainda assim é um hospital: mesmo com todo o esforço dos arquitetos para nos fazer sentir bem e não se sentir em um hospital, a gente se sente. O ar é pesado, sempre é.
A única arquitetura de hospital que faz bem pra gente é a que sai da mão dos médicos que curam nosso corpo. Seremos certamente mais felizes o dia em que se inventarem os arquitetos da alma. Feng-shui. “Colocamos um pouco mais de verde aqui, pois esse canto precisa de mais frio e laranjado ali, para esquentar e equilibrar tudo. Plantas. Algo que lembre água. Veja bem, que alma mais bonita agora”. Arquitetos da alma, decoradores para acrescentar sentimentos melhores e mais bonitos, engenheiros que desenhem uma estrutura muito resistente e construtores civis, para uma fundação sólida. A obra perfeita. E se pensarmos bem, somos sim a obra perfeita, mas deixamos com que as intempéries façam ruir as paredes.
Cumprimento rapidamente o rapaz de terno na entrada e é o rapaz que deveria fazer a segurança, mas quando estamos aflitos não há quem realize tal proeza. Nem percebo se ele tem um rosto. Entramos e o frio que é aquele das pessoas que sofrem. Sofrimento traz frio, porque gela a alma. Teria, além do ar-condicionado, outro motivo para um hospital ser tão frio? E frios eles sempre são.
Burocracia, cartões, fichas, telefonemas e pessoas de boa-vontade preocupadas em resolver esses contratempos. Um homem de jaleco branco, dentre muitos, nos chama a uma sala mais fria ainda. Ele não sorri. “Tire um raio-X do pé dela”, diz ele entregando um papel. Mais burocracia.Tudo em ordem e aguardamos. Tento explicar que é uma espécie de foto do pé dela e brinco com a moça perguntando se ela tiraria uma foto do meu também, para eu guardar de recordação. Ela não sorri e apenas pede que eu me retire da sala para não pegar radiação. Eu não posso, mas aquela coisinha que há pouco se encontrava chorosa e indefesa pode se expor à radiação e eu não. Isso me traz alguma indignação. Temos que voltar a falar com o médico, que agora parece mais relaxado. Ele olha a “foto do pé” e diz que está tudo bem, tudo inteiro. Pergunto se ele pode engessar então o pé da cadeira, porque eu acho que esse sim quebrou e agora ele sorri e brinca com a gente. Agradecemos e saímos do prédio. Agora vejo novamente o moço da segurança, mas ainda assim só reparo nele quando ele sorri abertamente e pergunta “agora está tudo bem com a moça?” Respondo que sim, que foi apenas resultado de uma peraltice. Ele sorri novamente e eu posso enfim ver que tem o sorriso bonito, olhos amendoados e castanho-claros, estatura que chama atenção, ombros que me fariam certamente me sentir segura, mas por um breve momento: apenas enquanto eu não lembrasse que homens mentem. Mas diante da visão daquele moço tão bonito, não me interesso por questionamentos profundos e depois de todo o susto da queda, a frieza do hospital e as elucubrações sobre os arquitetos de alma... Bem, a única coisa que consigo pensar futilmente é: “Mmmmmmm, agora já sei aonde vir quando eu me ‘quebrar’, coisa que para mim é tão freqüente.”

sábado, 16 de janeiro de 2010

A arte de se desculpar o "indesculpável"


O que me inspirou a escrever esse texto foi uma conversa com um grande amigo meu. Estávamos os dois a comer crepe e ele recebeu um telefonema surtado da mulher que mora com ele. Detalhe: eles não têm nenhuma ligação, a não ser a amizade. Aí começamos a pensar em desculpas esfarrapadas em um sentido geral. O que diria um homem que, por exemplo, chega em casa com uma mancha de batom na camisa? Meu amigo respondeu “Querida, eu tropecei em um palhaço. Não é nada do que você está imaginando!”. Bom... E se o caso for um cabelo loiro na camisa do indivíduo (sabendo-se que sua amada tem os cabelos escuros)? Fácil! “Não sei o motivo, querida, mas tive uma estranha atração por aquela loja de perucas”.
Pois assim é a vida (brincadeiras à parte): gastamos muito do nosso precioso tempo tentando desculpar o indesculpável (se é que existe essa palavra). Passamos muito tempo, na verdade, tentando adiar o inadiável. Eu sou o tipo de pessoa que gosta de tudo muito bem resolvido. Claro que em muitas situações práticas do dia-a-dia eu me enrolo. Aquela situação no banco, eu sempre deixo pra depois. Aquele e-mail que eu tenho que mandar hoje, quem sabe amanhã. E aquele restaurante novo que abriu? Talvez semana que vem. Essas coisas são fáceis de driblar. E quanto às coisas do coração?
Em alguns aspectos, ponto para mim. Se eu brigo com alguém, minha conversa com essa pessoa é, como dizem, “pra ontem”. Eu tenho uma tendência grande a procrastinar a resolução de coisas práticas, mas quanto às emocionais, eu não consigo. E isso porque eu tenho plena consciência de que, muitas vezes, o tempo é melhor que uma conversa franca. Mas não dá, dane-se o tempo!E se amanhã eu não tiver uma oportunidade de resolver tudo? E se não houver um amanhã? Pois é, quem sabe se tivéssemos esse pensamento em relação às emoções, tudo seria melhor. Ou não. Tudo poderia ser uma tremenda bagunça, pois resolveríamos as coisas sem pensar direito.
Eu tenho problemas emocionais com o tempo porque não sou de esperar. Oras, eu não esperei nem nove meses para nascer e sentir a emoção da vida, por que esperaria para resolver minhas “coisas”? Eu penso, decido e faço. Se vierem arrependimentos, que venham, pois eles não mudam o curso das coisas. No máximo fazem com que você evite repetir os mesmos erros. Ações mudam tudo, arrependimentos trazem peso à nossa bagagem emocional, mas bondosamente aumentam também o nosso grau de consciência.
O que eu posso dizer é que estou em um momento sem arrependimentos das decisões que eu tomei e a conseqüência de tanta segurança é a felicidade. A tranqüilidade dá força e a força faz com que você saiba sempre que pode agüentar as provas que a vida vai lhe oferecer. Então, que tal ser forte? Pensar e agir. Aquele lugar que você não foi, aquele beijo que você não deu, aquela pessoa que sorriu e você não retribuiu, aquele céu que você não admirou. Não é você que espera do mundo. Na verdade, o mundo espera por você. Pense nisso.