segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Oi, você é o Vander?


A paisagem é construída, mas a lua cheia daquele sábado inspirou as pessoas a me contar uma recordação famosa do
local. Um lugar coberto, com algumas mesas e uma linda vista do lago. Era possível ver o vento quente típico das noites
de agosto balançando as palmeiras e os sorrisos das roupas sofisticadas Por debaixo das mesas eu observava os
sapatos requintados e por cima delas, os olhares discretos das pessoas. Algumas famílias, alguns casais apaixonados, e,
como nós, amigos. Estava sentada conversando com uma amiga sobre os infortúnios amorosos e, confesso, falando absurdos
verdadeiros sobre uma determinada pessoa. Eis que surge uma voz e uma mão em meu ombro e a partir daí começou uma viagem
ao passado e a descoberta de coisas surpreendentes sobre um passado não muito distante. Recordações, novos fatos e tudo
visto de uma perspectiva muito interessante.
Do outro lado, o piano e mais requinte. Por sorte sentei-me em uma das mesas da entrada e posso afirmar que é o melhor local, de
onde se pode ver tudo e todos. Observar, conhecer, conversar. Ouvi uma história muito interessante, que me foi contada por três dos
funcionários.
Eles contam que em uma certa noite, chegou ao local uma moça. Loira, cabelos longos, muito bonita e vestida com esmero. Discreta e,
aparentemente, uma moça de boa índole. Observou o gerente se movimentar com sua camisa listrada, do lado de fora para o lado esquerdo
do estabelecimento. E ela o olhava com olhos de espera. A moça chamou a recepcionista do local e perguntou, sem fazer alarde: "Você pode
perguntar pra mim se ele é o Vander?". A recepcionista, ao perceber que se tratava de um encontro às cegas, pacientemente foi até o gerente
e, mesmo sabendo que o nome dele poderia ser qualquer outro, exceto Vander, ainda assim perguntou para aliviar o coração da moça. Não, ele
não era o Vander.
Com a percepção do que estava acontecendo, os outros funcionários começaram a torcer pela moça. Considerando a boa aparência da mesma, muitos
brincavam entre si e diziam que iriam vestir uma camisa listrada e dizer que eles eram o Vander. Todos estavam a essa altura torcendo pela
moça e todos homens desacompanhados que chegavam ao local poderiam ser o Vander. Mas eles não eram.O Vander não apareceu e a pobre moça ficou
a noite inteira sentada sozinha na mesa.

Incrivelmente, esse fato deixou as pessoas do local tristes. Todos se solidarizavam com o que a moça sentia. Deve ser horrível passar por algo assim.
Eu nunca o fiz nem deixei que fizessem comigo. O mais surpreendente é que esse caso não é o primeiro de encontro às cegas.
segundo os funcionários me disseram, esse é um dentre muitos.Como me foi contado, às vezes a recepcionista pergunta ao casal se a mesa é para
fumantes ou não-fumantes e eles se entreolham e não sabem, porque acabaram de se conhecer. Ah, a tecnologia!

A tecnologia deveria servir para aproximar as pessoas. E serve, mas algumas infelizmente não tem uma índole boa.Se aproveitam, mentem, enganam.
Eu não sei como era por dentro aquela moça, mas sou capaz de apostar que o Vander perdeu uma oportunidade de conhecer uma ótima pessoa. Ou ao
menos perdeu a oportunidade de agir como gente. Porque, francamente, o tempo que a moça perdeu poderia ter sido usado lendo um livro, arrumando as
unhas, conversando com os amigos ou até mesmo saindo com um cara legal de verdade. Coisas da vida. Espero que o mundo real não esteja repleto de
"Vanders" como o mundo virtual.

2 comentários:

  1. Infelizmente tenho esbarrado com muito Vanders na vida real. :(

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  2. Se eu lhe disser q não sei como é isso, estarei mentindo. Vander não é só, na verdade, o cara que marca com vc e não vai. De que é feito um Vander? De palavra não cumprida.

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