quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Esse estranho, a época da inocência e o mundo tem salvação


Esse estranho foi um tema constante na minha vida, ao menos essa semana. As pessoas têm me falado muito dele, me contado coisas que estão vivendo e eu quero registrar aqui. Não que eu saiba alguma coisa sobre esse tipo de amor e eu acho que eu não sei mesmo.
Conversando com alguém, concluímos que a época da inocência dá saudade na gente. As coisas mudaram demais nesses últimos anos.Eu lembro que sempre tinha aquele menino na escola, que fazia a gente suspirar. E as amigas suspiravam juntas. Era aquela coisa de você chegar correndo e contar pra elas "Gente, hoje ele falou comigo, ele
falou comigo"...aí as meninas perguntam em coro: "O que ele disse? O que?" e você responde, com a cabecinha nas nuvens "Ele disse 'oi', vcs acreditam?". Aí todas suspiram juntas.Isso não é uma cena de uma comédia romântica em cartaz, um flashback da mocinha do filme. Isso realmente existiu.E foi bom de um jeito estrondoso.
Eu lembro dele do Jardim de Infância. Era o menino mais legal da escola. Sempre brincávamos juntos, vivíamos juntos e eu era muito amiga da irmã dele, dois anos mais velha que a gente. Ele morava atrás da escola, em um apartamento com os pais, o irmão e a irmã. Eu sempre ia com a irmã dele onde eles moravam e conhecia todos.
Na escola diziam que éramos namoradinhos e a gente nem sabia o que era isso. O que
eu sei é que ele era meu companheiro de brincadeiras. Quando eu era a Mariazinha da cantiga de roda, ele era o meu par. "Oh, Mariazinha, oh Mariazinha, entrarás na roda e ficarás sozinha" e eu cantava "Sozinha eu não fico nem hei de ficar, porque eu tenho o Victor para ser meu par".E ele dançava comigo. Quando tinha a canção da
florista, ele era o menino que amava florista. "Eu sou a florista, flor estou vendendo" e ele cantava "Venha cá,menina, que por ti estou sofrendo"...Eu dizia: "Se queres uma flor, passa-me um tostão" e ele respondia "Eu não quero flor, eu quero o seu coração"...Vocês acreditam na riqueza emocional e cultural onde a minha geração foi imersa? Eu acredito e agradeço, porque muito do que sou devo à ela. Ah, minha escolinha...
Quis o destino que estudássemos dois anos juntos, os do Jardim de Infância. Na primeira série, mudei de escola e fiquei sem saber onde estava o Victor, meu grande pequeno amigo. E o tempo nunca foi suficiente para apagar essas memórias, que eu lembrava sempre com doçura. Sempre. Quis também o destino que eu conhecesse, no colégio La Salle (onde estudei da primeira série do primeiro grau até o fim do segundo grau), uma pernambucana "retada", uma menina
maravilhosa e pura, a Laressa. Nos tornamos muito amigas na oitava série. Ela vinha do período da tarde. Em uma conversa sobre memórias, falei do Victor para ela, com descrição física, nome, sobrenome e virtudes. Descobri que ele passou também os mesmos anos estudando na mesma escola que eu, no período da tarde. Nunca tínhamos nos encontrado antes. Um dia, na escola, encontrei-o. Ele não me reconheceu, mas meu coração "parou" quando olhei aqueles olhinhos azuis dele. Ele sorriu. E passou.
A Laressa era super amiga dele. Dizia q ele era o cara mais legal do mundo. E teve a brilhante idéia de escrever uma carta para ele contando quem eu era. Eu deveria fazer isso e fiz. Ela entregou. Disse q ele leu com lágrimas nos olhos. A partir daí trocávamos cartas todas as semanas. Isso é super romântico. Na festa junina da escola, ele me viu. Chamou a Laressa e disse que queria falar comigo, porque não queria aquilo de ficar, que gostava mesmo era
de mim e queria ser meu namorado. Nem preciso dizer que saí correndo da festa, sem deixar rastro. E que ele ficou muito magoado.Eu não sei do que tive medo, mas eu tinha 15 anos de idade. E via ali a possibilidade de viver um amor com o menino que para sempre vai ser o meu primeiro amor. Isso costuma assustar meninas de 15 anos de idade e talvez mulheres de 30. A possibilidade de ser mais feliz do que sempre fomos. Sim, amor é complemento e não razão.
O que sei do Victor é que ele se tornou médico, foi morar em Curitiba e casou por lá.
Quanto a saber que, apesar das mudanças pelas quais o mundo passou, ele tem salvação...Conversando hoje pela manhã com um grande amigo meu, uma pessoa que eu amo muito mesmo...Ele me disse para não ter pressa, para não atropelar as coisas. Segundo ele, quando procuramos uma pessoa para dividir nossos tesouros (vida, convivência, gostos, quem somos, quem seremos), analisamos, procuramos e estudamos. E muito. E isso vindo de um homem (sabe-se o quanto estão com a imagem manchada no mundo. Acho tolice, todos falham, independentemente do sexo)...Isso é realmente muito bom.Isso o que? Saber que existem pessoas que acreditam nesse estranho,o amor. Eu penso que virão muitas gerações e muitos tentarão em vão explicá-lo, cometas passarão, a ciência vai descobrir milhares de coisas...Mas a grandeza de
algo assim só será desvendada quando o medo deixar de existir em cada um e que cada um possa se abrir para a magnitude de tal acontecimento. Se ainda mora em mim a menina de 15 anos? Certamente. Resta saber se quem manda é ela ou a mulher de 30.

2 comentários:

  1. Ameiiiiiiiii

    Vc consegue colocar em palavras coisas q eu so consigo sentir!!!

    Te adoro, amora selvagem!!!

    Bjossss

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  2. Amora, que bom que vc gostou...Eu consigo colocar em palavras o q vc sente pq somos amigas e sendo assim, nossos corações se entendem perfeitamente. Lembra sempre: amizade é amor eterno.

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