
Conta ele que um dia, passando pela frente de uma casa, viu um sofá abandonado. E era um sofá de sonho: bonito, confortável e bem grande. Abandonado em frente à uma casa. Ele quis bater e perguntar o motivo de estarem jogando aquela maravilha fora. E não teve dúvidas: tocou a campainha, chamou, mas ninguém apareceu. Telefonou para um amigo proprietário de uma kombi velha para que eles pudessem levar o sofá embora. E assim fizeram.
Colocou o sofá na sala de casa. Era excelente e também era novo, o que aumentava os questionamentos dele a respeito dos motivos de se jogar algo tão bom no lixo. Mas ele continuou com o sofá na sala de casa e de tão confortável que era, dormiu nele por diversas vezes.
O único problema do sofá era um barulho semelhante a um batuque quando alguém sentava nele. E era algo forte e rápido. E todos que sentavam no sofá o sentiam.E se assustavam. Um dos amigos dele cogitou a possibilidade de ser um móvel "emacumbado". Ou talvez alguém teria morrido no móvel e tenha se apegado a ele em espírito. O objeto era repleto de "talvez".
Ele procurava dentro do sofá o motivo do barulho. E nada. Um dia, cansado de tê-lo em sua sala, resolveu jogá-lo fora também. Colocou-o em frente de casa. Saiu para trabalhar. Conta sua família que os cachorros reagiram de maneira estranha ao móvel: começaram a latir, uivar e tentar arrancar algo de dentro do sofá. Algo extraordinário: muitos cachorros, provavelmente, todos da vizinhança.
Eis que os cachorros se depararam com o inesperado: uma cobra grande, marrom e de cabeça grande, que os cachorros se prontificaram a matar e despedaçar. Quando ele chegou do trabalho, a cobra estava na rua aos pedaços. E o sofá também.
Surgiram tantos questionamentos: como a cobra sobreviveu por tanto tempo dentro do sofá sem comer nada? Como aquela cobra entrou no sofá? Será que os antigos proprietários quiseram jogar o sofá fora por conta da cobra dentro dele ou será que pensavam que o sofá era mal-assombrado e por isso quiseram se livrar dele? Será que a cobra saída do sofá na calada da noite para "assaltar" a geladeira? Há quanto tempo aquela cobra morava mo sofá?
A história da cobra no sofá trouxe questionamentos de natureza filosófica: qual a sua cobra do sofá? O que realmente incomoda você? Quando você vai colocar esse bendito do lado de fora de casa para que o barulho que ele faz não o incomode mais? Quando o sofá for colocado do lado de fora da casa, você tem cachorros suficientes para dilacerar o bicho horrendo que mora lá e não deixar que ele volte a incomodar? Ou será que você vai deixar algo potencialmente venenoso se esconda dentro de onde você dorme e correr o sério risco de ser mordido?
Algumas cobras minhas de sofá consistem em: excesso de peso, dificuldade para perder o vício por trabalho que eu alimentei por 3 anos, preguiça de fazer exercícios físicos (e alguns intelectuais,confesso), um certo desânimo para estudar, procrastinação da resolução de coisas urgentes, falta de coragem para me relacionar emocionalmente decorrente de alguns acontecimentos passados ruins, falta de coragem de cobrar que certas pessoas sejam coerentes nas atitudes em relação a mim...Enfim, são muitas "cobras de sofá" para matar e eu posso afirmar que, se pensarmos em termos de patrimônio emocional, eu tenho apenas uma poltrona. Todas essas cobras não cabem dentro dela. Acho que é hora de jogar essa poltrona no lixo e por isso, preciso
me livrar das cobras, pois não quero que o próximo proprietário dessa poltrona passe anos achando que ela é mal-assombrada.

Olha, 'a falta de coragem para me relacionar emocionalmente decorrente de alguns acontecimentos passados ruins' foi e é um dos meus maiores problemas, embora a preguiça intelectual também me pegue de surpresa de vez em quando. Aos risos e prantos li este post (ok, não foram prantos, mas rolou um 'pesarzinho') e a solução para um barulho na minha descarga! Certamente tem uma cobra lá dentro e as horas dela estão contadas. Cadê o porrete????
ResponderExcluirExcelente post CEO!!!
O porrete pra matar a bendita cobra nem sempre está disponível ou fácil, mas achá-lo a gente sempre acha. Fico feliz que tenha gostado do post, Mr. President. E um tantinho triste por vc tb ter se identificado com as partes ruins dele. Mas a vida é assim e vc, melhor q ninguém, sabe como as coisas funcionam. Tanto que aprendi demais com vc, pode ter certeza. E...faça um favor pra mim e pra si mesmo: mate essa cobra com eficiência, pois um jerk nunca é ele mesmo sem o sorriso cínico (e verdadeiro) no rosto.
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